segunda-feira, 16 de setembro de 2013

EM BREVE ESTAREI RETOMANDO O PORTAL DA DIVINA SABEDORIA QUE FICOU, UM LONGO TEMPO SE SER ATUALIZADO"
Muita Saúde e Paz à todos.

Fernando de Sàngó

domingo, 23 de outubro de 2011






PEDIDO DE RÉPLICA, para a matéria editada no CORREIO ESPÍRITA no dia 25 de Agosto de 2011 por Gerson Simões Monteiro, sob o título:


Jornalista do Jornal O Globo, não sabe o que 
é Espiritismo que Vergonha!

Prezado Sr. Gerson Simões Monteiro

Ao Irmão, muita Luz e Paz.

Na matéria que o Senhor, redigiu para o Correio Espírita no dia 25 de Agosto de 2011, alguns erros graves por falta de informação foram cometidos.

Gostaria Humildemente de poder esclarecer ao irmão, e aos leitores do respeitado e Conceituado Correio Espírita, alguns equívocos grosseiros inseridos em vossa matéria, pois como bem sabe o irmão, a Doutrina Espírita é Racional, e com  grande poder de análise e bom senso eleva cada um de acordo com o seu grau de conhecimento.

Revela-se nesta matéria muita incoerência, concordo plenamente com o Irmão, mas infelizmente esta falta de informação do Sr. Joaquim Ferreira dos Santos, do Jornal O GLOBO, também contamina os Irmãos Espíritas, Espiritualistas, Dirigentes Espíritas e Dirigentes Espiritualistas.

Sr. Gerson Monteiro e Sr. Joaquim Ferreira dos Santos, Cambono é um cargo masculino, Samba é um cargo feminino e ambos são assistentes dos ''Médiuns de Incorporação'', termo que particularmente considero incorreto, porque nenhum espírito consegue tomar o corpo de outra pessoa assumindo um lugar que é própio da sua alma individual. Nos Trabalhos da Seara de Umbanda, este trabalhador é chamado ''Rodante''.

Obs.: O Sr. é um homem de profundo conhecimento, e sabe melhor do que eu que  Médium é um termo cunhado do Latim  e significa meio,  o Grande Codificador do Espiritismo  Allan Kardek , ultilizou  em   1861  quando publicou a primeira edição de O Livro dos Médiuns. O termo foi adotado em larga escala pelas Doutrinas Espiritualistas no Brasil até os dias de hoje.

 Sinceramente, eu duvido que uma TENDA DE UMBANDA séria que tem como base os ensinamentos da entidade que se chama CABOCLO DAS 7 ENCRUZILHADAS, através do PAI ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES, que dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, com a orientação do seu Mentor e  Guia Espiritual, iria permitir de acordo com os ensinamentos da prática de Umbanda, qualquer tipo de libação ou qualquer coisa desta infeliz ordem, principalmente sendo a entidade totalmente alicerçada na base da Caridade, na Família e na reforma moral do homem através do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é a verdade.

 O Sr. Zélio de Moraes, foi quem recebeu, a missão de propagar no Brasil, na primeira década do século XX, a única e genuína Religião Brasileira que se chama UMBANDA.

...seus cambonos de tomar cachaça no processo ritualístico de se elevar até aos santos daquele terreiro. A medida serve também para os fiéis. Procura-se com isso evitar que, na saída do transe, os espíritas tenham problemas com os terráqueos da Lei Seca...

Gerson, eu nunca vi tanta desinformação junta, isso não existe na Umbanda de Verdade, os nossos trabalhos não precisam de Cachaça, para que o médium atinja um estado alterado de consciência ao prestar a ''caridade'', por isso, recomendo à todos os meus irmãos, que não abram mão jamais de um estudo de qualidade, para que este estudo de qualidade seja um alicerce seguro   e possa esclarecer aos ignorantes que UMBANDA É UMA RELIGIÃO ESPIRITUALISTA E NÃO ESPIRITA,  e que nada, nada mesmo impede que um Irmão Umbandista tenha como base o Estudo das Obras Espíritas reconhecidas pela FEB (Federação Espírita Brasileira). O nosso habitat são Casas e Tendas que são nossos Centros Espiritualistas  e não Centros Espíritas, com esta atitude não tenho o intuito de promover qualquer tipo de rivalidade, mas sim esclarecer, porque nós Umbandistas somos vistos por alguns Irmãos Espíritas e Evangélicos como Bruxos, Macumbeiros, devoradores de criança, destruidores de casamento e etc... etc...  , criaram algumas frases malditas como por ex: “Se Macumba fosse boa, o nome era pra ser BOACUMBA”.

Raça de Víboras, mas este estado de ignorância, faz parte ainda de um processo evolutivo, que nós também fazemos parte, Graças à Deus..

 Os princípios e ensinamentos de Umbanda com certeza não eleva ninguém à Santo algum Respeitosamente falando, por favor parem de cometer estes absurdos em relação a Umbanda, essas práticas de trazer Marido em 3 dias, sacrificar animais e crianças, encher a cara de cachaça pra dizer bobagens e idiotices não fazem parte definitivamente do Nosso ESTATUTO e Práticas Mediúnicas. Nossos bons guias e trabalhadores da Seara do Mestre, se firmam no Evangelho de Jesus, segundo Mateus que diz: “Dai de Graça o que de Graça Recebestes.” ( Mt. 10,8) 

A Umbanda nunca surgiu no século XVI, trazida por nossos Irmãos Negros como o Sr. Estudou. Assinaste  o segundo  “Atestado de Ignorância”,  pior fazer uma análise de uma matéria difamatória sem se importar em fazer pelo menos uma pesquisa decente da verdade, alimentando a idiotice materialista deste teu colega de profissão, o ''Jornalista'' Sr. Joaquim Ferreira dos Santos.

Falta de bom censo e Intolerância Religiosa, pode levar uma pessoa a um pré-julgamento negativo.

Segundo o Jornalista Ronaldo Linhares,  que conheceu pessoalmente e pesquisou sobre a vida de Pai Zélio de Moraes,  a Umbanda teve início em nosso país no início do século XX, na época em que a Federação Espírita de Niterói, tinha como Presidente o Sr. José de Souza,  época em que a Federação estava mais preocupada em apenas  reverenciar e aceitar nobres comunicações de espíritos com o rótulo de "doutores", não sei se mudou muito mas..., em 15 de novembro de 1908 em uma manifestação de “incorporação involuntária” de diferentes espíritos na presença do  Sr. José de Souza, além de Presidente era um excelente médium vidente, que interpelou o espírito manifestado no jovem Zélio e foi aproximadamente este o diálogo ocorrido:


-- Sr. José: “Quem é você que ocupa o corpo deste jovem?”
-- O Espírito: “Eu? Eu sou apenas um caboclo brasileiro.”
-- Sr. José: “Você se identifica como caboclo, mas eu vejo em você restos de vestes clericais.”
-- O Espírito: “O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida e, acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas, em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro.”

-- Sr. José: “E qual é seu nome?”
-- O Espírito: “Se é preciso que eu tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão Caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos.”

 No desenrolar desta “entrevista”, entre muitas outras perguntas,o Sr. José de Souza teria perguntado se já não bastariam as religiões existentes e fez menção ao espiritismo então praticado, e foram estas as palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas: “Deus, em Sua infinita bondade, estabeleceu na morte o grande nivelador universal: rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornam iguais na morte. Mas vocês homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se, apesar de não haverem sido pessoas importantes na terra, também trazem importantes mensagens do além? Por que o “não” aos CABOCLOS e PRETOS-VELHOS? Acaso não foram eles também filhos de Deus?”

Aqui nestas entrelinhas, se encontra um depoimento, atestando que na “Corrente do Astral Superior”, estava sendo desprendida o início de uma religião chamada UMBANDA no Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho, aberta a todos os espíritos e homens de boa vontade, que estivessem dispostos a auxiliar através do serviço de prática da caridade independentes de sua origem, cor, raça, classe social, religião e etc...


É preciso que fique claro que a Umbanda não incorporou qualquer ritual Católico por imposição isso é mentira, a Umbanda está próxima do Catolicismo sim, como esta próxima do Espiritismo, do Protestantismo, do Budismo, e de todas as Religiões aonde Deus é a fonte de Água Viva que limpa os Miasmas, levando a Reforma Intima do Homem em seu processo Evolutivo na reparação de suas faltas.


Sr. Gerson:  AQUI SE ESCREVE, AQUI SE REPARA.

Disse o Jornalista Ronaldo Linhares:

"Para mim, ele, sem dúvida nenhuma, é o Pai da Umbanda.”

                                                                                             Fernando de Sàngó

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Há muitas moradas na casa de meu Pai.



Quando Jesus, em seu evangelho segundo João, se refere há muitas moradas na casa de meu Pai, Jesus não se referia somente à outros Orbes, este enigmático ensinamento se refere também as várias moradas da alma humana em suas múltiplas reencarnações em vários corpos. Este processo natural de reforma íntima, leva o homem a depurar as suas vibrações mentais, para a futura libertação da roda reencarnatória.


A pouco tempo que a alma humana se emancipou de sua condição primitiva no planeta terra, por isso necessita ainda da matéria física para lapidar o princípio inteligente.
A faxina moral no comportamento é urgente e necessária, porque os tempos chegaram, guias e mentores espirituais tem tido um grande esforço para comunicar de várias formas esta verdade, mas a insensibilidade e o deboche que fazem projeção a futura infelicidade do homem, impede que o momento de iluminação que todo ser vivo tem em sua existência, se instale em sua faixa vibratória de forma positiva, para iniciar uma empreitada na reconstrução expiatória através de uma reforma íntima.
Reforme o padrão vibratório mental da tua morada primordial com sincero e verdadeiro esforço, para que a tua alma retome a estrada do caminho para a morada final, que é a casa do Pai.

JESUS É O CAMINHO A VERDADE E A VIDA!


Mensagem Espírito :  Capistrano

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A morte de Bin Laden: Uma Visão Espírita.

Texto Escrito por: Wellington Balbo

"A morte de Osama Bin Laden é apenas uma pequena amostra da ilusão que o ódio pode ocasionar na criatura humana. Integrantes da família universal podem, quando revestidos de sentimentos menos felizes, considerarem-se ferrenhos inimigos, como no caso em questão. Lamentável, pois, as atitudes dos terroristas que se voltam contra os EUA, como também é lamentável a felicidade com ares de vitória da terra do Tio Sam pela morte de Bin Laden. Em ocasiões assim não há vencedores. Todos perdem.
Interessante que o desconhecimento das leis que regem a vida faz com que até mesmo figuras inteligentes percam-se em devaneios. Explico melhor:
André Trigueiro, jornalista da Globo News, no programa em que apresenta questionou renomado professor de História Contemporânea se o mundo ficaria melhor com a morte de Bin Laden. O acadêmico, impetuosamente respondeu: Obviamente que sim!
Certamente o professor desconhece que despojado do invólucro de carne Bin Laden não perdeu sua ira. Ele não sumiu, apenas está sem o corpo físico. Não vejo, então, qual a melhora efetiva do mundo sem a presença física do terrorista. O mundo estaria melhor se ele tivesse mudado suas disposições íntimas, regenerando-se. Sabemos que nada disso ocorreu, portanto...
Vale destacar também que o sentimento de pseudo-alegria de uma nação pela morte de alguém que os tem como inimigos somente acirra os ânimos exaltados de alguns fanáticos, fazendo a perpetuação do ódio e da vingança.
A morte do corpo não significa a morte do sentimento ou da individualidade. Continuamos existindo e atuando em consonância com nossos propósitos e objetivos. E as vibrações destemperadas de alguns encarnados atingem em cheio o objeto de suas doentias emanações mentais.
Portanto, fácil concluir que desprovido do corpo Bin Laden continuará atuando.
Por isso recomenda-se o perdão das ofensas, para que as contendas não se transformem em ardilosos e nefastos processos de obsessão que perduram por tempo indeterminado, até que as partes envolvidas disponham-se a aparar arestas. É fácil perdoar, simples, passe de mágica? Todos sabemos que não. O perdão é uma construção daquele que busca estar em paz consigo e sua consciência. Muitos dizem: Mas como perdoar? Como conceder o benefício do perdão a um terrorista ou a alguém que tirou a vida de uma pessoa que eu amo? Primeiro é preciso compreender que o perdão beneficia quem o concede, porquanto o livra das correntes do ódio e da vingança.
Aliás, a vingança é claro sinal de inferioridade. Conforme consta em O evangelho segundo na elucidativa mensagem de Júlio Olivier que transcrevemos parcialmente:
A vingança é um dos últimos remanescentes dos costumes bárbaros que tendem a desaparecer dentre os homens. E, como o duelo, um dos derradeiros vestígios dos hábitos selvagens sob cujos guantes se debatia a Humanidade, no começo da era cristã, razão por que a vingança constitui indício certo do estado de atraso dos homens que a ela se dão e dos Espíritos que ainda as inspirem.
Se buscamos seguir Jesus é inconcebível que vibremos com a desdita do outro. Se não é possível perdoar, ao menos não alimentemos a vingança. Se o perdão se faz impossível e nosso coração ainda não é brando o suficiente para concedê-lo, que ao menos não cogitemos de prejudicar quem quer que seja.
Por essas e outras é que discordamos com veemência do professor que concedeu entrevista ao André Trigueiro.
O mundo não está melhor nem pior sem a presença de Bin Laden.
O mundo só estará melhor quando aprendermos a perdoar e o mundo só será o ideal quando aprendermos, de fato, a amar. Assim, nada de perdão, porquanto não estaremos mais no primitivo estágio de causar dano ao outro.
Reflitamos com gravidade nesse momento e analisemos nossa postura como espíritas.
O ódio não combina com aqueles que pretendem seguir Jesus.
Pensemos nisso."

Wellington Balbo é autor do livro "Lições da História Humana", síntese biográfica de vultos da História, à luz do pensamento espírita, palestrante e dirigente espírita no Centro Espírita Joana D´Arc, em Bauru.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Conselhos de um Preto-Velho - Fernando Sepe











Á noite, quando a maioria das pessoas está dormindo, diversas falanges espirituais se desdobram em trabalhos socorristas de assistência à humanidade encarnada. Devido ao sono, a queda natural do metabolismo e das ondas cerebrais, o corpo espiritual despende-se naturalmente do corpo físico. Aproveitando-se desse fato natural e inerente a todo ser humano, muitos amigos espirituais trabalham nessa hora da noite, retirando essas pessoas do seu corpo físico, dando um toque sensato e elas diretamente em espírito, ou mesmo, simplesmente trabalhando as energias do assistido, com mais liberdade, a partir do plano espiritual da vida. Um dia desses, durante um trabalho de assistência, estava conversando com um preto-velho que responde, nas lidas de Umbanda, pelo nome de Pai José da Guiné.

Segue o diálogo:

- Pai José, esse trabalho de assistência na madrugada é enorme não? O médium umbandista muitas vezes nem imagina o tamanho dele, não é mesmo?

- É sim fio. Trabalho grande, toda noite, mas são poucos que lembram da espiritualidade dia-dia e mantém sintonia elevada antes de dormir.

Isso acaba por barrar as possibilidades de trabalho em conjunto conosco, você sabe disso. A maioria dos médiuns por aí pensam que o único dia de trabalho espiritual é o dia de trabalho no terreiro, é uma pena.

- É verdade, as pessoas tendem a se preparar muito para o dia de trabalho no terreiro, mas esquecem dos outros dias.

- Preparar? Muitas vezes elas nem se preparam, fio. A maioria chega lá cheia de problemas e preocupações ma cabeça. Da um trabalho danado acoplar na aua toda encardida de pensamentos e sentimentos estranhos deles. E nego num tá falando que preparação é tomar um banho de erva antes do trabalho, não...

- Ué, mas o banho de erva é importante, nao é pai?

- É, claro que é. Mas num é tudo, antes do banho de erva, seria melhor um banho de bom humor, com folhas de tranquilidade e flores de simplicidade, isso sim ajudaria. Num dianta colocar roupa branca, defumar, tomar banho, se o coração tá sujo, se a boca maldiz, se o rosto está sem alegria e o espírito apagado, limpeza interna fio, antes de limpeza externa...
- Tá certo...

- Tá ceto, mas voce muitas vezes num faz isso né? Tudo bem, todo mundo tem lá seus dias ruins. O problema é quando isso se torna constante, Fio, a Umbanda é muito rica em rituais, em expressões exteriores de alegria e culto a divindade, mas isso deve ser utiliado sempre como uma forma de exteriorizar o que de melhor trazemos denro de nós, não uma fuga do que carregamos aqui dentro.

Volta seus olhos pra dentro e lá preste culto aos Orixás so depois disso, canta, dança...

- Quando estiver participando de um trabalho, esteja por inteiro, em corpo físico, coração e mente. Não faça das reuniões espirituais um encontro social. antes de começar os trabalhos, medita, ora, entra em sintomia com o trabalho que já está acontecendo. Durante os cantos, busca a sintomia com os Orixás. Nesse momento, voce e Eles não estão separados pela ilusão da matéria tão juntos em espírito e verdade...

- Acompanha as batidas do atabaque e faz elas vibrarem em todo seu ser. Defume seu corpo, mas defuma também sua alma, queimando naquela brasa seu ego, sua vaidade, seu individualismo, que lhe cega os sentidos.

- Trabalha, aprende, louva, cresce meu fio, mas o mais importante: Leva isso pra fora do terreiro lá dentro, todo mundo é filho de pemba, todo mundo tá de branco, todo mundo ama os Orixás... mas aqui fora, logo na primeira dificuldade, duvidam e esquecem dos ensinamentos lá recebidos. Aqui fora, num tem caridade, fraternidade, Orixás, espiritualidade, mas a Lei de Umbanda não é pra ficar contida no terreiro.

A Lei de Umbanda é pra estar presente em cada ato nosso em cada palavra, em cada expressãode nosso ser...

- Percebe fio? Voce é médium o tempo todo, não so no dia de trabalho, mas todo dia. Voce é médium até quando ta dormindo.

Pai José fez uma pausa e eu fiquei pensando a respeito da responsabilidade do trabalho mediúnico. De quantos médiuns por aí nem tinham idéia do trabalho espiritual que as muitas correntes de Umbanda desenvolvem, de como a vivência de terreiro demandava uma mudança interior, uma postura diferente em relação à vida. Enquanto pensava a respeito, Pai José disse:

- È por aí meso fio. A partir do momento em que a pessoa internaliza os valores espirituais, umnovo mundo, cheio de novas perspectivas surge. novas idéias, novos ideais, uma forma diferente de encarar a vida, esse é o resultado do trabalho.

A caridade não é mais uma obrigação, mas torna-se natural e inerente ao próprio ser, assim como a resiração. A sintomia acontece esteja onde ele estiver, caregando consigo a Lei da Sagrada Umbanda em seu coração...

- Lembre-se: Aruanda não é um lugar! Aruanda é um estado de espírito... Voce a carrega para onde for, isso é trabaho, isso pe sacerdócio, isso é viver buscando a espiritualização...

- Por isso, mei fio, faz de cada trabalho espirital que voce participar um passo em direção a esse caminho. Um passo em direção a unidade com o Orixá. Cada reunião, um passo... sempre!

Pai José de Guiné é um espírito que há muito tempo eu conheço, trabalhador incansável nas lidas da cura espiritual. Apresenta-se como umnegro, com cerca de 50 anos, sempre com seu chapéu de palha a cobrir-lhe a cabeça e seu olhar firme e determinado. Tem um jeito muito diretoe reto de falar as coisas, sempre nos alertando a respeito de posturas incompatíveis com o trabalho espiritual. É um espírito muito bondoso, com quem já aprendi muitas coisas. Fica aí o toque dele, que muito me serviu, a respeito de levar o terreiro para o nosso dia-dia.

O médium umbandista, espírita... não importa a linha de trabalho, precisa estar consciente de suas responsabilidades todos os dias, e não apenas na hora dos trabalhos espirituais.



sábado, 20 de fevereiro de 2010


Sermão da Montanha - Mateus Capítulo : 5

Jesus, vendo a multidão, subiu ao monte e ensinava aos seus discípulos dizendo:

1- Bem-aventurados os humildes, porque deles é o reino do Céu.

2- Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados pelo própio Deus.

3- Bem-aventurados os pacientes, porque eles herdarão a terra.

4- Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque terão o amparo da Justiça Divina.

5- Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

6- Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus face a face.

7- Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

8- Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da verdade, porque deles é o Reino do Céu.

9- Bem-aventurados sois vós, quando vos perseguem, quando vos injuriam e, mentindo, fazem todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso garladão
no Céu.

“Se se perdessem todos os livros sacros da humanidade, e só se salvasse O SERMÃO DA MONTANHA, nada estaria perdido.”

Mahatma Gandhi

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Teólogo Leonardo Boff sobre a Umbanda



Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.

O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.

O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.

A Umbanda é uma religião profundamente ecológica (ambientalista). Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.



Leonardo Boff

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


“Muito Obrigado, Sinhô Douto”!


  Com muito respeito e fraterna admiração eu peço licença ao Senhor, Dr. Bezerra para poder lhe dedicar palavras  de agradecimento, por tudo aquilo que o Sr. sendo a nossa boa semente nesta terra de cá carente de trabalhadores sinceros e dedicados em sua seara. 

 Dono de bom de coração e dedicação ao  próximo, muito lutou para o Brasil se tornar melhor e menos covarde, principalmente com  as suas diferenças,  eu mesmo sendo um homem de conhecimento em minha terra, senti no estalar do chicote impresso na minha carne, o ódio através do preconceito gerado pela  ignorância do homem branco, durante muito tempo, muitas vezes vi Irmãos Negros sofrer espancamentos de seu "senhor", que impunham debaixo do braço a Bíblia Sagrada e vestimenta cara para após ato de extrema covardia, iria se dirigir a Igreja e na Missa receber a Sagrada Hóstia,  Louvado seja nosso Senhor Jesus!  

Enumerar vossas obras seria desperdício de palavras, mas o que mais me solicito neste momento é poder agradecer a Jesus, o Cristo de Deus, esta chama de intensa luz, que com sua humildade e dedicação, iluminou a alma dos pobres, índios , escravos, bêbados e prostitutas ajudando não só financeiramente, mas curando as dores físicas e morais empreguinadas em seus corpos físicos e espirituais, isto tudo graças ao impecável sentido de amor ao próximo que o Sr. com muita dignidade, sempre respeitou através dos seus exemplos, seguindo a Lei do Amor Universal contida no Evangelho de Jesus, “Ama teu próximo como a ti mesmo”, a chama da caridade foi, e é a base de pedra aonde o Sr. solidificou as suas maiores virtudes, que é o Amor e a Fé em Deus.
E através desta curta homenagem, gostaria de pedir licença ao Sr. para de forma respeitosa, expor para alguns irmãos chamados esclarecidos, de palavras refinadas e nível intelectual invejável, com os estômagos fartos, que morrem afogados no mar da vaidade de todos os seguimentos religiosos , os chamados portadores de belas túnicas, que a caridade e a verdade que liberta está acima de tudo, na luta constante contra as chamadas inclinações ruins, para que o fiel exemplo Cristico que o Sr. Dr. Bezerra nos deixou através de suas atitudes de boa vontade, saibam que a obra individual de cada um é o espelho que se reflete nos dois planos sem omitir o dono da imagem.
"Viver e Renascer", é uma das maiores dádivas que Deus nos presentiou em nossa evolução, para a cada dia de nossa infinita existência nos libertar-mos dos nossos vícios e vaidades, e ao romper os grilhões desta escravidão, possamos todos nós dar Graças à Deus.


Mensagem ditada por, Vovô Natanael, no dia 28 de agosto 2009, dia que se comemora o nascimento de Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Folhas de Agasthiya Naadi
































































































A descoberta do papel foi na China, no ano de 105 da era Cristã, por um chinês chamado Cain Lun. No início do século XIX, foram usados tecidos que foram substituídos por madeira e pastas vegetais. A primeira máquina de fabricação de papel foi construída na França no final do século XVIII. Antes os Grandes iniciados indianos escreviam em folhas de palmeiras. Atualmente as folhas de palmeiras são usadas com desenhos pintados com figuras de deuses hindus e com algumas posições do Kama Sutra.000000000000000000000000000000000000000000000000 0000000000000000000000000000000000000000000000000000000































As Folhas de Nadi é uma arte divinatoria secular que surgiu no sul da India no estado de Tamil Nadu pelo sábio Agathiyar que recebeu revelacões e as escreveu em folhas de Nadi. Muitos de seus astrologos e seguidores desenvolveram esta forma de previsao ao redor do templo Vaitheeswaran que fica no estado de Tamil Nadu. Os decendentes destes astrologos continuam utilizando as folhas de Nadi para fazer previsoes ao redor do templo.

A Astrologia praticada no sul na Índia pelos leitores Nadi vai além do que nossa lógica ocidental possa conceber. Como você se sentiria se descobrisse que seu mapa já foi escrito há centenas de anos e que ele pode ser identificado a partir de suas impressões digitais.

Os Sábios indianos de aproximadamente dois mil anos atrás recolheram em folhas de palmeira preparadas milhões de mapas astrológicos e suas respectivas interpretações, constando a vida passada, presente e futura com o nome da pessoa, nome dos pais, irmãos, filhos, esposa(o), doenças, eventos principais, existem na Índia vários sistemas astrológicos antigos de origem pré-védica e outros com influêcia vinda de outras civilizações invasoras, como a grega helenística e a mulçumana.
















Naadi em Tâmil significa "buscar", pois em tempo destinado o indivíduo vem em busca do seu Naadi, mas não é muito fácil encontra-lo, porque é necessário encontrar um leitor Naadi, e depois através dele encontrar a sua folha se é que ela existe no arqivo do leitor.








A palavra Naadi em Sânscrito significa Canal pelo qual algo flui. Na ayuverda , sistema de medicina indiana, são os canais energéticos pelos quais fluem a energia dos Chakras ou centros energéticos do corpo.
















Existem 72 tipos de Nadi conforme o conceituado Astrólogo Dr. B. V. Raman da revista Astrological Magazine, após marcar devida hora com o leitor de Nadi, pois ele só atende três pessoas por dia , ele tira a digital do dedão da mão direita do homem e o da mão esquerda da mulher na tentativa de encontrar a folha específica para o inicio da previsão.

















Estas folhas de Palmeira continham assuntos variados como curas pelas ervas (ayurveda), alquimia, kayakalpa ou aumento da longevidade e diferentes ramos de predição. Eram escritas originalmente em sânscrito mas os reis Chola do sul da Índia e o rei marata Sarabhoji, há uns 1000 anos atrás, sendo patronos das Artes e Ciências, mandaram reunir as folhas disponíveis, tanto astrológicas como de outras ciências, e traduzi-las para o tâmil da época (tâmil arcaico antigo), reunindo-as numa grande Biblioteca no palácio 'Saraswati Mahal' que existe até hoje em Tanjavur. Durante a dominação britânica, há aproximadamente 300 anos, foram levadas muitas destas folhas, principalmente as relacionadas com medicina e ervas, sendo feitos leilões onde eram arrematadas. Sabe-se que uma determinada seita indiana especializada em astrologia, da comunidade Valluvar, comprou há aproximadamente 60 anos uma enorme quantidade destas folhas astrológicas da Biblioteca Thanjavur Saraswati Mahal, juntando-as com as que já tinham. As folhas estavam ali desde aproximadamente o século XIII e os ancestrais, entendendo o seu valor, copiaram-nas também em folhas de palmeira fazendo réplicas exatas, sendo passadas de geração em geração. Atualmente seus descendentes vivem destas leituras, é uma profissão hereditária. O que está escrito deverá ser lido exatamente e explicado. Pertencem a um lugar chamado Vaitheeswaram Koil, no sul de Tamil Nadu, distrito de Tanjavur. E uma arte divinatória que é passada de pais para filhos desde pequenos.



















Abaixo os Links dos vídeos que a tecnologia Americana, com uma atitude muito nobre, ajuda a preservar os Manuscritos Hindus para que esta Arte Milenar não seja jogada pelo ralo. 00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
http://www.youtube.com/watch?v=z_d88DkAlJ8





























domingo, 16 de agosto de 2009

Omulu e Obaluaiê





































































Obaluaiê no sincretismo São Roque











A data em sua Homenagem é 16 de Agosto, na Umbanda representa a manifestação de Deus (Zambi das religiões Congo e Angola) da renovaçao dos espíritos decaídos, resgatador da suas dívidas cármicas, na manifestação de Omulu trabalha como ceifador dos erros, ou seja, é o senhor dos mortos e o regente dos cemitérios considerado o campo santo entre o mundo terrestre material e o mundo astral espiritual, trabalhando com muito amor na guia destes espíritos, tendo como servo exu caveira o guardião dos cemitérios. Obaluaie é o mistério da irradiação que plasma o espirito desencarnado em vias de reencarne, amoldando-o para o útero materno, propiciando assim uma nova via evolutiva. Obaluae é o senhor das doenças podendo curar uma pessoa de uma doença.Na gíra de caboclos pode ser chamado de "caboclo do fogo" e quando entra nos terreiros da umbanda sua cabeça sempre tem que ser coberta,pois,obaluae tinha muitos feridas e cobria seu rosto com palha para que ninguem podesse ver as feridas. Diz uma lenda africana que ele estava em uma festa e ninguém queria dançar com ele sabendo de suas feridas até que Iansã veio até ele levantou a palha de seu rosto e com sua ventarola provocou um vento tão forte que as feridas de obaluae sairam do corpo dele se transformando em pipoca.
São Roque nasceu em Montpellier, no começo do século XIV. Aos 20 anos, ficou órfão de pai e de mãe. Distribuiu parte da sua herança aos pobres e parte confiou a um tio. Partiu depois em peregrinação para Roma. Durante a viagem procurava ajudar os necessitados, especialmente os doentes, vítimas da peste. Após muitos anos na Cidade Eterna, Roque retornou à terra natal. Durante a viagem, foi atacado pela peste. Para não contaminar ninguém, refugiou-se na floresta. Contam que um cão roubava comida da mesa de um certo senhor e lhe levava cada manhã. Desta maneira ele foi descoberto. Ao chegar em Montpellier, foi preso e levado diante do governador, que era seu tio, mas não o reconheceu. Esquecido por todos, morreu abandonado na prisão, depois de cinco anos. Segundo a tradição popular, sua avó o reconheceu pela mancha em forma de cruz que trazia no peito.
São Roque abriu mão da sua riqueza para seguir uma vida próxima à Cristo. Ele se tornou santo por conseguir uma cura milagrosa sobre a peste negra que contaminou a Europa naquela época.

Omulu no sincretismo São Lázaro










A data em sua Homenagem é 17 de Dezembro, para alguns umbandistas, Omolu é considerado a esquerda de Obaluayê, daí a proximidade entre os dois. Porém, ele também se aproxima de Obaluayê por ser invocado, assim como esse último, para a cura de doenças, especialmente as contagiosas e aquelas que podem levar o doente à morte. Nesse sentido, recebe o título de Senhor da Varíola, doença contagiosa que dizimou milhões de pessoas até a descoberta de uma vacina e posterior erradicação.
Omulu, dentro de uma nova visão espiritual umbandista, é o Orixá da energia cósmica que ao penetrar em nossa atmosfera recaí sobre diversos habitats, como Oxum e as águas doces, etc. Ele é um dos sete orixás (puros) tendo como desdobramento o orixá Nanã. Ele vive na Calunga pequena (cemitério), aí se dando a concentração maior de sua energia (positiva ou negativa). Seus sensitivos, ao manifestarem a presença de Omolu, curvam seu corpo a terra, ficando o mais perto possível dela. Representa também a grande transformação do ser, ter que morrer para o pequeno e renascer para o grande, sem precisar deixar a matéria (morte). Suas cores na Umbanda são o preto x amarelo ou branco x preto (mais relacionado aos pretos-velhos).
Sua imantação compõe-se de deburu (pipocas feitas na areia), mamão, arroz. Flor: monsenhor amarelo; essência: cravo ou menta.
Por sua relação com a morte, é reverenciado no cemitério ou campo santo e extremamente temido. Esta é uma visão umbandista sem preconceitos ou tabus. ooooooooo





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Meus comentários:
São Lázaro e São Roque são ligados as doenças, colocação que eu não concordo nem um pouco, na minha opinião dentro da natureza tudo tem de certa forma um princípio e um “fim”. Omulu, Obaluaê e Nanã são Orixás responsáveís pelo fim da vida carnal e o princípio da vida espiritual, e ficando a responsabilidade da nossa reencarnação para o nosso Orixá Ancestral.










Como não existe a morte em nenhuma parte do universo estas energias divina, são a prova da presença renovadora do poder de Deus na nossa evolução.
Mas como São Lázaro é citado no Evangelho de Nosso senhor Jesus, em São Lucas 16. 19 a 31, disse Jesus:
Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico e foi sepultado. E, no Hades (quer dizer inferno), ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio. E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá. E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

As Drogas e suas implicações Espirituais.




I - Introdução
Um dos problemas mais graves da sociedade humana, na atualidade, é o consumo
indiscriminado, e cada vez mais crescente, das drogas, por parte não só dos
adultos, mas também dos jovens e, lamentavelmente, até das crianças,
principalmente nos centros urbanos das grandes cidades.
A situação é tão preocupante, que cientistas de várias partes do Planeta,
reunidos, chegaram à seguinte conclusão: "Os viciados em drogas de hoje podem
não só estar pondo em risco seu próprio corpo e sua mente, mas fazendo uma
espécie de roleta genética, ao projetar sombras sobre os seus filhos e netos
ainda não nascidos."
Diante de tal flagelo e de suas terríveis conseqüências, não poderia o
Espiritismo, Doutrina comprometida com o crescimento integral da criatura humana
na sua dimensão espírito-matéria, deixar de se associar àqueles segmentos da
sociedade que trabalham pela preservação da vida e dos seus ideais superiores,
em seus esforços de erradicação de tão terrível ameaça.
O efeito destruidor das drogas é tão intenso que extrapola os limites do
organismo físico da criatura humana, alcançando e comprometendo,
substancialmente, o equilíbrio e a própria saúde do seu corpo perispiritual. Tal
situação, somada àquelas de natureza fisiológica, psíquica e espiritual,
principalmente as relacionadas com as vinculações a entidades desencarnadas em
desalinho, respondem, indubitavelmente, pelos sofrimentos, enfermidades e
desajustes emocionais e sociais a que vemos submetidos os viciados em drogas.
Em instantes tão preocupantes da caminhada evolutiva do ser humano em nosso
planeta, cabe a nós, espíritas, não só difundir as informações antidrogas que
nos chegam do plano espiritual benfeitor que nos assiste, mas, acima de tudo,
atender aos apelos velados que esses amigos espirituais nos enviam, com seus
informes e relatos contrários ao uso indiscriminado das drogas, no sentido de
envidarmos esforços mais concentrados e específicos no combate às drogas, quer
no seu aspecto preventivo, quer no de assistência aos já atingidos pelo mal.
II - A Ação das Drogas no Perispírito
Revela-nos a ciência médica que a droga, ao penetrar no organismo físico do
viciado, atinge o aparelho circulatório, o sangue, o sistema respiratório, o
cérebro e as células, principalmente as neuroniais.
Na obra "Missionários da Luz" - André Luiz ( pág. 221 - Edição FEB), lemos:
"O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente
radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo
perispiritual." Em "Evolução em dois Mundos", o mesmo autor espiritual
revela-nos que os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.
Comparando as informações dessas obras com as da ciência médica, conclui-se
que a agressão das drogas ao sangue e às células neuroniais também refletirá nas
regiões correlatas do corpo perispiritual, em forma de lesões e deformações
consideráveis que, em alguns casos, podem chegar até a comprometer a própria
aparência humana do perispírito. Tal violência concorre até mesmo para o
surgimento de um acentuado desequilíbrio do Espírito, uma vez que "o perispírito
funciona, em relação a esse, como uma espécie de filtro na dosagem e adaptação
das energias espirituais junto ao corpo físico e vice-versa.
Por vezes o consumo das drogas se faz tão excessivo, que as energias,
oriundas do perispírito para o corpo físico, são bloqueadas no seu curso e
retornam aos centros de força.
III - A Ação dos Espíritos Inferiores Junto ao Viciado

Esta ação pode ser percebida através das alterações no comportamento do
viciado, dos danos adicionais ao seu organismo perispiritual, já tão agredido
pelas drogas, e das conseqüências futuras e penosas que experimentará quando
estiver na condição de espírito desencarnado, vinculado a regiões espirituais
inferiores.
Sabemos que, após a desencarnação, o Espírito guarda, por certo tempo, que
pode ser longo ou curto, seus condicionamentos, tendências e vícios de
encarnado. O Espírito de um viciado em drogas, por exemplo, em face do estado de
dependência a que ainda se acha submetido, no outro lado da vida, sente o desejo
e a necessidade de consumir a droga. Somente a forma de satisfazer seu desejo é
que varia, já que a condição de desencarnado não lhe permite proceder como
quando na carne. Como Espírito precisará vincular-se à mente de um viciado, de
início, para transmitir-lhe seus anseios de consumo da droga, posteriormente,
para saciar sua necessidade, valendo-se para tal do recurso da vampirização das
emanações tóxicas impregnadas no perispírito do viciado, ou da inalação dessas
mesmas emanações quando a droga estiver sendo consumida.
"O Espírito de um viciado em drogas, em face do estado de dependência a que se acha submetido, no outro lado da vida, sente o desejo e a necessidade de consumir a droga."

Essa sobrecarga mental, indevida, afeta tão seriamente o cérebro, a ponto de
ter suas funções alteradas, com conseqüente queda no rendimento físico,
intelectual e emocional do viciado. Segundo Emmanuel, "o viciado, ao alimentar o
vício dessas entidades que a ele se apegam, para usufruir das mesmas inalações
inebriantes, através de um processo de simbiose em níveis vibratórios, coleta em
seu prejuízo as impregnações fluídicas maléficas daquelas, tornando-se
enfermiço, triste, grosseiro, infeliz, preso à vontade de entidades inferiores,
sem o domínio da consciência dos seus verdadeiros desejos".

IV - Contribuição do Centro Espírita no trabalho antidrogas desenvolvido
pelos Benfeitores Espirituais

A Casa Espírita, como Pronto-Socorro espiritual, muito pode contribuir com os
Espíritos Superiores, no trabalho de prevenção e auxílio às vítimas das drogas
nos dois lados da vida.
Com certeza, essa contribuição poderia ocorrer através de medidas que, no
dia-a-dia da Instituição, ensejassem:

1. Um incentivo cada vez mais constante às atividades de evangelização da
infância e da juventude, principalmente com sua implantação, caso a Instituição
ainda não tenha implantado.

2. Estimular seus freqüentadores, em particular a família do viciado em
tratamento, à prática do Evangelho no Lar. Essas pequenas reuniões, quando
realizadas com o devido envolvimento e sinceridade de propósitos, são fontes
sublimes de socorro às entidades sofredoras, além, naturalmente, de concorrer
para o estreitamento dos laços afetivos familiares, o que decerto estimulará o
viciado, por exemplo, a perseverar no seu propósito de libertar-se das drogas ou
a dar o primeiro passo nesse sentido.

3. Preparar devidamente seu corpo mediúnico para o sublime exercício da
mediunidade com Jesus, condição essencial ao socorro às vítimas das drogas, até
mesmos as desencarnadas.

4. No diálogo fraterno com o viciado e seus familiares, sejam-lhes colocados
à disposição os recursos socorristas do tratamento espiritual: passe,
desobsessão, água fluidificada e reforma íntima.

5. Criar, no trabalho assistencial da Casa, uma atividade que enseje o
diálogo, a orientação, o acompanhamento e o esclarecimento, como fundamentação
doutrinária, ao viciado e a seus familiares.

V - Conclusão

Diante dos fatos e dos acontecimentos que estão a envolver a criatura humana,
enredada no vício das drogas, geradoras de tantas misérias morais, sociais,
suicídios e loucuras, nós, espíritas, não podemos deixar de considerar essa
realidade, nem tampouco deixar de concorrer para a erradicação desse terrível
flagelo que hoje assola a Humanidade. Nesse sentido, urge que intensifiquemos e
aprimoremos cada vez mais as ações de ordem preventiva e terapêutica, já em
curso em nossas Instituições, e que, também, criemos outros mecanismos de ação
mais específicos nesse campo, sempre em sintonia com os ensinamentos do
Espiritismo e seu propósito de bem concorrer para a ascensão espiritual da
criatura humana às faixas superiores da vida.
(Reformador – Março/98)
(Jornal Mundo Espírita de Abril de 1998)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Como Conheci Zélio de Moraes










"Para mim, ele, sem dúvida nenhuma, é o Pai da Umbanda.”
































(Jornalista Ronaldo Linhares)
















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Em julho de 1970, eu estava numa das minhas viagens ao Rio de Janeiro, com fragmentos de uma informação que havia colhido de uma conversa com o Sr. Demétrios Domingues, segundo o qual a mais antiga Tenda de Umbanda seria a de Zélio de Morais. Eu me encontrava em São João do Meriti-RJ, já de saída para São Paulo, quando decidi que procuraria essa pessoa e se é que ela realmente ainda existia. Após me informar de como chegar a Cachoeiras de Macacu, atravessei a ponte Rio-Niterói e, tomando a estrada para Friburgo, consegui chegar, depois de várias informações erradas. 00000000000000000000000000000000000000000000000000000
















Caída à tarde naquela cidade. 000000000000000000000000000000000000000000000000000
















Era dia de jogo do Brasil na copa do mundo, o que serviu para complicar meu trabalho. Em todo local que pedia informações, todos estavam com olhos grudados na televisão. Meu carro, embora novo, tinha um mau contato no rádio e a minha companheira Norminha passou metade da viagem dando tapas embaixo do painel, para ouvir o jogo. Várias vezes ela me disse que aquilo era uma loucura e que o melhor era voltarmos ao Rio de Janeiro, mas eu estava determinado a esclarecer o assunto de uma vez por todas. Ao entrar na cidade, que é muito pequena, dirigi-me primeiro a um bar, pedindo as primeiras informações, pois contava encontrar uma pessoa muito popular na cidade. Fiquei muito surpreso com o fato de que ninguém soube dar-me nenhuma informação, nem quanto à figura de Zélio nem quanto à sua Tenda. 000000000000000000000000000000000
















Essa pessoa que eu procurava, se ainda estivesse viva, devia ser um ancião e, assim pensando, procurei uma farmácia, pois nessas pequenas comunidades os velhos quase sempre freqüentam regularmente a farmácia. Nova decepção: ninguém conhecia Zélio e nem havia ouvido falar de sua Tenda.000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
















Cheguei a procurar a Igreja local e indaguei ao padre, apresentando as minhas credenciais de repórter. Este também declarou nada saber a respeito de quem eu procurava (mais tarde vim a saber que a família Morais não era conhecida do padre, como participava financeiramente das realizações sociais da igreja).0000000000000000000000000000000000000000000000000000
































Já quase desistindo, parei numa padaria, em uma das travessas da cidade, e foi lá que encontrei o “louco”. Demo-lhe este nome porque durante a nossa conversa ele pareceu não ser um indivíduo equilibrado. Afirmou conhecer Zélio e disse-me que ele tinha um bar em Boca do Mato. Contestei imediatamente, pois as informações que eu tinha diziam que Zélio morava em Cachoeiras.000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
















Depois de muitas explicações, fiquei sabendo que Boca do Mato era um bairro desse micromunicípio, com praticamente uma única rua que terminava na mata, daí o nome que lhe deram: Boca do Mato. Um tanto temeroso ainda, convidei o “louco” para que nos levasse até o local.000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
















Norminha estava apavorada com a minha atitude, achando que estávamos sendo conduzidos a uma emboscada. O cair da tarde era frio e garoava muito, lembrando uma tarde de inverno paulistano. A região serrana talvez propiciasse esse clima. Ao voltarmos à estrada, o “louco” apontava para a propriedade mais bonita e dizia: “Eu vendi para o deputado, para o gerente do Banco do Brasil, etc”. Se era fato ou não, o certo é que jamais ficaremos sabendo. Finalmente uma curva na estrada, nenhuma casa aparente, ele nos pede para entrarmos à direita. Só a menos de dez metros da entrada é que eu consegui enxergar a saída.000000000000000000000
















O receio transformou-se em medo. Apesar de tudo, fomos em frente: uma rua sinuosa, várias pontes, algumas casas esparsas, nenhuma casa de comércio aberta. Paramos e ele disse: “É aqui!”. A casa estava fechada. Bati palmas várias vezes; numa casa vizinha uma janela se abriu e uma senhora de meia-idade, muito atenciosa, perguntou: “Vocês estão procurando quem?” 0000
















Mostrei-lhe as credenciais e expliquei tudo. “Sou repórter e preciso encontrar Zélio”. Ela então me esclarece: “Seu Zélio está muito doente e não há ninguém em casa”.0000000000000000000000
















Finalmente alguém confirmou que Sr. Zélio existia. Perguntei onde o encontrava e ela disse: “Ele está na casa da filha, em Niterói”. Senti como se tivesse pisado num alçapão, pois havia passado por Niterói e levei duas horas para chegar até ali. Teria de fazer todo o caminho de volta. Perguntei se ela teria o endereço. Ela, muito educada, respondeu: “Não sei exatamente onde eles moram, mas tenho o telefone da filha”.0000000000000000000000000000000000000000000000
















Depois de assegurar-me de que realmente o apartamento ficava em Niterói, despedi-me. O “louco” estava eufórico, a informação era correta. Paramos em Cachoeiras de Macacu e eu o gratifiquei. Ele agradeceu e saiu correndo com o dinheiro em direção ao primeiro bar, “como um louco”.
















Voltei para Niterói. Norminha dizia que o louco era eu por continuar naquela busca inútil, mas me acompanhava, apesar de tudo. Já não se falava mais em futebol, somente se encontraríamos ou não o Sr. Zélio. Chegamos em Niterói por volta das 19 horas. Assim que deixei estrada, cruzei algumas ruas e cheguei a uma farmácia. “Cariocamente”,estacionei o carro na calçada, desci, apresentei minhas credenciais e pedi para usar o telefone. Logo, em minha volta estava estabelecida a confusão.
































“O senhor é repórter?00000000Foi crime?00000000Onde foi? Quem morreu?”
































































Tentando ignorar as perguntas, consegui completar a ligação. Do outro lado da linha uma voz de menina atendeu-me. Eu disse apenas que era de São Paulo, que queria entrevistar o Sr. Zélio e que havia sido informado de que ele se encontrava naquele telefone.
















A mocinha pediu-me que esperasse um instante. Eu a ouvi transmitindo as informações que lhe dera. Outra voz no aparelho, desta vez a de uma senhora; explico os objetivos da minha visita (em nenhum momento declinei meu nome).
















Ouço a pessoa com quem estou conversando dirigir-se a outra e explicar: “Papai, há um senhor de São Paulo ao telefone, que veio entrevistá-lo. O senhor pode atendê-lo?” E, para minha surpresa, ouço lá no fundo uma voz cansada responder:
















“É Ronaldo, minha filha, que estou esperando há muito tempo. O homem que vai tornar o meu trabalho conhecido em todo o mundo”. Eu ouvia e não acreditava. Eu não havia dito a ninguém o meu nome e, no entanto, ele sabia de tudo, como se estivesse informado. Pedi o endereço, trêmulo e emocionado. Não me saía da cabeça como ele sabia quem eu era. Agradeci ao farmacêutico e saí “pisando fundo”.
















Na Avenida Almirante Ari Pereira, perguntei a um, a outro e, finalmente, estava defronte ao prédio. Um tanto receoso, encostei o veículo. Passam os andares e finalmente o elevador para. Tive a impressão de que meu coração havia parado também.
















Descemos, na nossa frente havia duas portas. Bati à porta da direita. Ela abriu-se. Era a mocinha gentil que me atendera da primeira vez:
















“Sr. Ronaldo?”
















“Perfeitamente!”
















“Um momentinho”.
































A porta da sala é a outra e Dona Zilméia vai atendê-lo.
















O espaço que separava uma porta da outra não ultrapassava três metros. Com quatro passos estava diante da outra, que já começava a abrir-se. Diante de mim, uma senhora sorriu muito educada e perguntou:
















“O senhor Ronaldo?”
















Confirmei e apresentei Norminha, minha esposa.
















A sala era um “L” e, no canto direito, um velhinho, usando pijama com uma blusa de lã por cima, sorriu para mim. O apartamento era modesto; havia um enorme aquário numa das pernas do “L”. Ao ver a frágil figura do velhinho, veio-me à cabeça que aquele deveria ser, no mínimo, irmão gêmeo de Chico Xavier, tal a sua semelhança física com o famoso médium kardecista.
















Tomado de grande emoção, aproximei-me do senhor Zélio. Ele sorriu e disse, brincando:
















Pensei que você não chegaria a tempo.
















Não sei por que, mas aproximei-me, ajoelhei-me diante daquela figura simpática e tomei-lhe a bênção. Ele tomou minhas mãos, fez-me sentar ao seu lado e repreendeu a Norminha, dizendo-lhe:
















Por que você não queria vir para cá?
















Quando consegui falar, disparei uma “rajada” de perguntas. Eu estava totalmente abalado, o homem parecia saber tudo sobre mim e procurava acalmar-me, dizendo:
















Sei perfeitamente o que você quer saber e não há motivo para que esteja tão nervoso.
















Sua presença me acalmava. Dona Zilméia, depois de conversar conosco por 15 minutos, explicou que era seu dia de tocar os trabalhos e desculpou-se, dizendo que precisava sair. Pedi-lhe o endereço da Tenda e, depois de tudo anotado, ela retirou-se e fiquei na companhia do senhor Zélio. Ele realmente tinha todas as respostas para minhas perguntas e, na maior parte do tempo, antecipava-se a elas. Coisa que até hoje não consigo compreender. Eu estava diante de alguém como nunca havia visto antes.
















Finalmente eu encontrara o “homem”.
















Zélio de Morais e as Primeiras Manifestações Espirituais na Umbanda:
















Quando do primeiro contato de Ronaldo Linares com Zélio de Morais, este lhe narrou como tudo começou:
















Em 1908, o jovem Zélio Fernandino de Morais estava com 17 anos e havia concluído o curso propedêutico (equivalente ao Ensino Médio atual). Zélio preparava-se para ingressar na Escola Naval, quando fatos estranhos começaram a acontecer-lhe. Ora ele assumia a estranha postura de um velho, falando coisas aparentemente desconexas, como se fosse outra pessoa e que havia vivido em outra Época; e, em outras ocasiões, sua forma física lembrava um felino lépido e desembaraçado, que parecia conhecer todos os segredos da natureza, os animais e as plantas.
















Este estado de coisas logo chamou a atenção de seus familiares, principalmente porque ele estava preparando-se para seguir carreira na Marinha, como aluno oficial. Este estado de coisas foi se agravando e os chamados “ataques” repetiam-se cada vez com mais intensidade. A família recorreu, então, ao médico Dr. Epaminondas de Morais, também da família, diretor do Hospício de Vargem Grande e tio de Zélio. Após examiná-lo durante vários dias, reencaminhou-o à família, dizendo que a loucura não se enquadrava em nada do que ele havia conhecido, ponderando, ainda, que melhor seria encaminhá-lo a um padre, pois o garoto mais parecia estar endemoninhado.
















Como acontecia com quase todas as famílias importantes da Época, também havia na família um padre católico. Por meio desse sacerdote, também tio de Zélio, foi realizado um exorcismo para livrá-lo daqueles incômodos ataques. Entretanto, nem esse nem os outros dois exorcismos realizados posteriormente, inclusive com a participação de outros sacerdotes católicos, conseguiram dar à família Morais o tão desejado sossego, pois as manifestações prosseguiram, apesar de tudo.
















A partir daí, a família passou a correr atrás de toda e qualquer melhora, ou melhor informação, que lhe trouxesse a esperança de uma solução para seu filho querido. Um dia, alguém sugeriu que isso era coisa de espiritismo e que o melhor era encaminhá-lo a recém-fundada Federação Kardecista de Niterói, município vizinho àquele em que residia a família Morais, ou seja, São Gonçalo das Neves. A Federação era então presidida pelo Sr. José de Souza, chefe de um departamento da Marinha chamado Toque Toque.
















O jovem Zélio foi conduzido, em 15 de novembro de 1908, a presença do Sr. José de Souza. Estava num daqueles chamados ataques, que nada mais eram do que incorporações involuntárias de diferentes espíritos; e lá chegando, o Sr. José de Souza, médium vidente, interpelou o espírito manifestado no jovem Zélio e foi aproximadamente este o diálogo ocorrido:
















Sr. José: “Quem é você que ocupa o corpo deste jovem?”
















O Espírito: “Eu? Eu sou apenas um caboclo brasileiro.”
















Sr. José: “Você se identifica como caboclo, mas eu vejo em você restos de vestes clericais.”
















O Espírito: “O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida e, acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas, em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro.”
















Sr. José: “E qual é seu nome?”
















O Espírito: “Se é preciso que eu tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão Caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos.”
















No desenrolar desta “entrevista”, entre muitas outras perguntas,o Sr. José de Souza teria perguntado se já não bastariam as religiões existentes e fez menção ao espiritismo então praticado, e foram estas as palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas: “Deus, em Sua infinita bondade, estabeleceu na morte o grande nivelador universal: rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornam iguais na morte. Mas vocês homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se, apesar de não haverem sido pessoas importantes na terra, também trazem importantes mensagens do além? Por que o “não” aos CABOCLOS e PRETOS-VELHOS? Acaso não foram eles também filhos de Deus?”
















A seguir, fez uma série de revelações sobre o que estava à espera da humanidade.
















“Este mundo de iniqüidades mais uma vez será varrido pela dor, pela ambição do homem e pelo desrespeito às leis de Deus.
















As mulheres perderão a honra e a vergonha, a vil moeda comprará caracteres e o próprio homem se tornará afeminado. Uma onda de sangue varrerá a Europa e quando todos acharem que o pior já foi atingido, uma outra onda de sangue, muito pior do que a primeira, voltará a envolver a humanidade, e um único engenho militar será capaz de destruir, em segundos, milhares de pessoas.
















O homem será uma vítima de sua própria máquina de destruição.”
















Prosseguindo diante do Sr. José de Souza, disse ainda o Caboclo das Sete Encruzilhadas: “Amanhã, na casa onde meu aparelho mora, haverá uma mesa posta a toda e qualquer entidade que queira ou precise se manifestar, independentemente daquilo que haja sido em vida, todos serão ouvidos e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos àqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai.”
















Sr. José: “E que nome darão a esta Igreja?”
















O Caboclo: “TENDA NOSSA SENHORA DA PIEDADE, pois da mesma forma que MARIA ampara nos braços o filho querido, também serão amparados os que se socorrerem da UMBANDA.”
















A denominação de “Tenda” foi justificada assim pelo Caboclo: “Igreja, Templo, Loja dão um aspecto de superioridade, enquanto que Tenda lembra uma casa humilde.”
















Dessa forma, em São Gonçalo das Neves, vizinho a Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara, na sala de jantar da família Morais, um grupo de curiosos kardecistas compareceu, no dia 16 de novembro de 1908, para ver como seriam estas incorporações, para eles indesejáveis ou injustificáveis. O diálogo do Caboclo das Sete Encruzilhadas, como passou a ser chamado, havia provocado muita especulação e alguns médiuns, que haviam sido escorraçados de mesas kardecistas, por haverem incorporado caboclos, crianças ou pretos-velhos, solidarizaram-se com aquele garoto que parecia não estar compreendendo o que lhe acontecia e que de repente se via como líder de um grupo religioso, obra que deveria durar toda a sua vida e que só terminaria com a sua morte, mas que suas filhas Zélia e Zilméia prosseguem com o mesmo afã.
















































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Zélio de Moraes, com 83 anos de idade, na tranqüilidade do sítio em que residia, em Cachoeiras de Macacu (Boca do Mato), relatou o que ocorrera no dia seguinte, 16 de novembro de 1908: "Minha família estava apavorada. Eu mesmo não sabia explicar o que se passava comigo. Surpreendia-me haver dialogado com aqueles austeros senhores de cabeça branca, em volta de uma mesa onde se praticava um trabalho, para mim desconhecido. Como poderia, aos 17 anos, organizar um culto? No entanto, eu mesmo falara, sem saber o que dizia e porque dizia. Era uma sensação estranha, uma força superior que me impelia a fazer e a dizer o que nem sequer se passava pelo meu pensamento. No dia seguinte, em casa de minha família, na Rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, ao se aproximar a hora marcada - 20 horas - já se reuniam os membros da Federação Espírita, seguramente para comprovar a veracidade do que fora declarado na véspera; os parentes mais chegados, amigos, vizinhos e, do lado de fora, grande número de desconhecidos.
















































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Tenda Nossa Senhora da Conceição

















Tenda Nossa Senhora da Guia
















Tenda Santa Bárbara
















Tenda São Pedro
















Tenda Oxalá
















Tenda São Jorge
















Tenda São Jerônimo
































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Por volta de 1936, funcionando já seis das sete tendas anunciadas, o Caboclo demorava-se em criar a última, que seria a Tenda São Jerónimo, a Casa de Xangô. Faltava-lhe, dizia, o dirigente adequado.
















Certa noite de quinta-feira, José Álvares Pessoa, espírita, estudioso de todos os ramos do espiritualismo, não dando muito crédito ao que lhe relatavam sobre as maravilhas ocorridas em Neves, resolveu verificar pessoalmente o que se passava. Logo que chegou à porta da sala em que se reuniam os discípulos, digamos assim, do Sete Encruzilhada, este interrompeu a palestra e disse: já podemos fundar a Tenda São Jerónimo. O seu dirigente acaba de chegar. Pessoa surpreendeu-se. Era desconhecido no ambiente, viera apenas verificar a veracidade do que lhe narravam. Após breve diálogo, em que o Caboclo demonstrou conhecer a fundo o visitante, José Alvares Pessoa assumiu a responsabilidade de dirigir a última das sete tendas que a Entidade criava.
















Dezenas de tendas foram fundadas sob a orientação do Sete Encruzilhadas no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul. Sempre que possível, o médium Zélio participava, pessoalmente, da instalação das novas tendas.
















Em 1939, o Caboclo determinou que se fundasse uma Federação para congregar os templos umbandistas e que deveria ser o núcleo central desse culto, em que o simples uniforme branco de algodão dos médiuns estabelecia a igualdade de classes, e a simplicidade do ritual permitia dedicar integralmente o tempo das sessões ao atendimento dos necessitados. Mais tarde, surgiu o Jornal de Umbanda, que durante mais de vinte anos foi um porta-voz doutrinário de grande valor.
















O ritual preconizado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas excluiu tudo que de supérfluo nos legaram as seitas africanas. São palavras textuais de Zélio de Moraes: "O Caboclo das Sete Encruzilhadas não admitia atabaques e nem mesmo palmas nas sessões. Apenas os cânticos, muito firmes e ritmados, para a incorporação dos Guias e a manutenção da Corrente Vibratória. Capacetes, adornos, vestimentas de cores, rendas e lamês não são aceitos nos templos que seguem a sua orientação. O uniforme é branco, de tecido simples. As guias usadas são apenas as que determinam a Entidade que se manifesta. Não é a quantidade de guias o que dá força ao médium. Os banhos de ervas, os amacis, as concentrações nos ambientes da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituem os principais elementos de preparação do médium. E são severos os testes que levam a considerar o médium apto a cumprir sua missão mediúnica.
















De um artigo de Álvares Pessoa, publicado no suplemento espiritualista de "O Semanário", por volta de 1957, transcrevemos um trecho que define nitidamente a missão do Caboclo das Sete Encruzilhadas: "A tarefa que sobre os seus ombros tomou o Caboclo das Sete Encruzilhadas: - organizar a Lei de Umbanda no Brasil - é um verdadeiro milagre de fé e nos leva a um sentimento de profundo respeito por essa Entidade que se faz pequenina e procura velar-se sob a capa de uma humildade perfeita. É a ele que se deve a purificação dos trabalhos nos terreiros. Não veio destruir o ritual e sim dar-lhe força e método, manter sua pureza propagá-lo com a sua organização maravilhosa. O que nós todos lhe devíamos é inestimável; jamais poderemos retribuir os benefícios espalhados por ele e pelos Espíritos que acorreram a seu chamado. Esse Espírito, cuja fé-é um incentivo para os nossos espíritos, cheios de indecisões, fracos no cumprimento do dever, rebeldes quando não vemos satisfeitos os nossos desejos, bem merece ser enaltecido por todos os filhos de fé que se sentem felizes no ambiente humilde de Umbanda, e que nem de leve suspeitam do seu verdadeiro valor Ele não é um entre muitos, é o primeiro entre todos, porque foi comissionado para o estabelecimerito da Lei, a purificação dos rituais, verdadeiro Pastor da Umbanda, cuja obra, que um dia será gigantesca, se espalhará pelos confins do mundo porque a fé, que é o seu alicerce, a sustentará pelos séculos afora".
















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EM ESSÊNCIA, A UMBANDA FUNDAMENTA-SE NOS SEGUINTES PRINCÍPIOS BÁSICOS:
















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Na existência de DEUS, Único, Onipotente, adorado sob vários nomes;
















Na crença em um Orixá Maior - OXALÁ - Jesus Cristo
















Na crença em Entidades Espirituais em Plano Superior - Os Orixás, chefiando Falanges;
















Na crença em Guias Espirituais, mensageiros dos Orixás (Caboclos e Pretos-Velhos);
















Na existência do Espírito sobrevivendo ao Homem em caminho de evolução,
















0buscando o aperfeiçoamento;
















Na crença na reencarnação e na Lei do Carma, Causa e Efeito;
















Na prática da mediunidade sob as mais variadas apresentações;
















Na afirmação de que as Religiões constituem os diversos caminhos da evolução
















0espiritual que conduzem a Deus;
















Na prática da caridade material e espiritual;
















Na necessidade do ritual como elemento disciplinador dos trabalhos;
















Na crença de que o Homem vive num campo de vibrações que condicionam sua vida 0para o bem ou para o mal, conforme sua própria nica vibratória.
















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A Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade existe até hoje. Seu patrono segue sendo o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
















A história se encarregou de mostrar e provar a exatidão das previsões do Caboclo das Sete Encruzilhadas. As duas primeiras guerras, as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki e a grande degeneração da moral, que, em certos países do mundo, permite que possam se unir em matrimônio até mesmo seres do mesmo sexo. O poder do dinheiro e o total desrespeito à vida humana são provas incontestáveis do poder e da clarividência do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
















Uma comprovação da existência do Frei Italiano, Gabriel Malagrida pode ser feita no livro de Henrique José de Souza, Eubiose: A verdadeira Iniciação, 4a ed. Rio de Janeiro: Associação Editorial Aquarius, 1978.
















Segundo Henrique José de Souza: “Gabriel Malagrida, ancião de 80 anos, foi queimado por Verdugos (Inquisição), em 1761″ (págs. 250-251).
















Existe, na Biblioteca de Amsterdã, uma cópia do seu FAMOSO PROCESSO, traduzido da edição de Lisboa. Malagrida, com efeito, foi acusado de feitiçaria e de manter pacto com o Diabo, que lhe havia revelado o futuro.
















A profecia comunicada pelo “inimigo do gênero humano” (Quer dizer das profecias comunicadas aos Santos da Igreja, inclusive Santa Odila, que profetizou até a última guerra) ao pobre Jesuíta Visionário está concebida nos seguintes termos: “O Réu confessou que o demônio, sob a forma da Virgem Maria, lhe tinha ordenado a escrever a vida do Anti-Cristo; que havia de existir, a bem dizer, três anti-Cristos sucessivos, e que o último nasceria em Milão, da sacrílega união entre um frade e uma freira, etc. E por aí outras tantas coisas que obrigaram a confessar.”
















A Tenda Nossa Senhora da Piedade é reconhecida hoje como a primeira Tenda de Umbanda e a data de 15 de novembro de 1908 é reconhecida como a data de fundação oficial da Umbanda.
















Ronaldo Linares fez seu primeiro contato com Zélio de Morais em 1970. Antes disso, em 1969,
















o pesquisador norte-americano David St. Claire fez a mesma descoberta em sua estada no Brasil.
















Raízes do Ritual Umbandista:
















Quando Ronaldo Linhares efetuou os primeiros contatos com Zélio de Morais, indagou sobre a origem do ritual umbandista e ele fez os seguintes esclarecimentos:
















“O rito nasceu naturalmente, como conseqüência, principalmente, da presença do índio e pela presença do elemento negro, não tanto pela presença física do negro, mas sim pela presença do preto-velho incorporado, e, para ser mais preciso, no mesmo dia e pela primeira vez houve a incorporação de Pai Antonio, naquela que haveria de ser a primeira Tenda de Umbanda do Brasil. A Tenda Nossa Senhora da Piedade.
















Segundo relato de Zélio de Morais, o Caboclo das Sete Encruzilhadas havia avisado que subiria para dar passagem a outra entidade que desejava se manifestar. Assim se manifestou, no corpo de Zélio de Morais, o espírito do velho ex-escravo, que parecia demonstrar sentir-se pouco à vontade frente a tanta gente e que, se recusando a permanecer na mesa em que se dera a incorporação, procurava passar despercebido, humilde, aparentando muita idade e o corpo curvado, o que dava ao jovem Zélio um aspecto estranho, quase irreal. Essa entidade parecia tão pouco à vontade, que logo despertou profundo sentimento de compaixão e de solidariedade entre os presentes. Questionado então por que não se sentava à mesa, com os demais irmãos encarnados, respondeu:
















“Negro num senta não, meu sinhô. Negro fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco i negro deve arrespeitá.”
















Era a primeira manifestação desse espírito iluminado, mas a morte não retoca seu escolhido, mudando-o para o bem ou para o mal. Não havia afastado desse injustiçado o medo que ele tantas vezes havia sentido ante a prepotência do branco escravagista e, ante a insistência de seus interlocutores, disse:
































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“Num carece preocupá não, negro fica nu toco, que é lugá di negro.”
















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Procurava, assim, demonstrar que se contentava em ocupar um lugar mais singelo, para não melindrar nenhum dos presentes.
















Indagado sobre seu nome, disse que era “Tonho” e que era “PAI ANTONIO”. Surgiu, assim, esta forma de chamar os pretos-velhos de “PAI”.
















Ao responder como havia sido sua morte, disse que havia ido à mata apanhar lenha, sentiu alguma coisa estranha, sentou-se e nada mais se lembrava.
















Sensibilizado com tanta humildade, alguém lhe perguntou respeitosamente: “Vovô, o senhor tem saudade de alguma coisa que deixou ficar aqui na terra?”
















Este respondeu: “Minha cachimba, negro qué pito que deixou no toco. Manda mureque buscá.”
















Grande espanto tomou conta dos presentes. Era a primeira vez que algum espírito pedia alguma coisa de material, e a surpresa foi logo substituída pelo desejo de atender ao pedido do velhinho. Mas ninguém tinha um cachimbo para ceder-lhe. Na reunião seguinte, muitos pensaram no pedido e uma porção de cachimbos, dos mais diferentes tipos, apareceu nas mãos dos freqüentadores da casa, incluindo-se alguns médiuns que haviam sido afastados de centros espíritas kardecistas, justamente porque haviam permitido a incorporação de índios, pobres ou pretos como aquele e que, solidários, buscavam na nova casa, a Tenda Nossa Senhora da Piedade, a oportunidade que lhes fora negada em seus centros de origem.
















A alegria do velhinho em poder pitar novamente o seu cachimbo logo seria repetida quando os outros médiuns já mencionados também passaram livremente a permitir a presença de seus caboclos, de seus pretos-velhos e demais entidades consideradas não doutas pelos kardecistas de então, pobres tolos preconceituosos que confundiam cultura com bondade.
















Foi dessa maneira que foi introduzido na “mesa” espírita o primeiro rito. Outros lhe seguiram, como, por exemplo, quando houve a informação de que os índios tinham o hábito de fumar e que foram eles que primeiro descobriram as propriedades dessa planta que eles enrolavam num enorme charuto, que era usado coletivamente por todos os participantes de seus cultos religiosos, sendo desta forma uma espécie de planta sagrada.
















Desde que haja moderação e cautela, negar o pito ao preto-velho seria hoje uma grande maldade. Entretanto, deve-se sempre ter em mente que o seu uso deve ater-se somente ao rito e evitar-se os abusos e as deturpações que testemunhamos constantemente, não raras vezes, tocando as raias do absurdo e do escândalo, para o desprestígio desta religião que nasceu sob o signo da paz e do amor.
















Atualmente, sabe-se que o uso do fumo pelas entidades incorporadas tem o efeito purificador quando elas atendem alguma pessoa com problemas espirituais. A fumaça age como um desagregador de maus fluidos, atingindo o perispírito dos espíritos obsessores. Por extensão destes hábitos incorporados ao terreiro, passou-se a oferecer doces às crianças incorporadas e, às vezes, a promover festas infantis. Contudo, o que é usual nestes casos, e naturalmente influindo desta ou daquela forma nas demais maneiras de incorporação, sempre com o objetivo de tratar os incorporantes (espíritos) como velhos e queridos amigos a quem recebemos com grande satisfação.
















Com a “liberdade” trazida pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, as pessoas afugentadas da elitizada mesa kardecista de então passaram a freqüentar a nova religião. Uma boa parcela dessas pessoas era de raça negra (no Rio de Janeiro). Isso fez com que a Umbanda passasse a contar com uma boa parte de médiuns de raça negra, que se sentiam muito à vontade pela ausência de preconceitos.
















Estes médiuns começaram a enriquecer o ritual umbandista e hoje muitos rituais com o nome de Umbanda são praticados… muitos nem são umbanda… são misturas desconexas de ritos… mas quando encontramos um verdadeiro terreiro ou tenda de Umbanda… algo dentro de nós nos emociona… é como estivéssemos sentindo a presença de Cristo e de N.Sra. na humildade dos pretos velhos; na simplicidade dos índios caboclos em sua pureza mental e moral e no cheiro bom da arruda…alecrim…alfazema e guiné…
















15 de nov. de 2004 (94 anos do marco oficioso da Umbanda no Brasil)
































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FREI GABRIEL MALAGRIDA - O JESUÍTA
































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No ano de 1689, as margens do rio Como, na Vila de Monagio, nascia um menino que recebeu o nome de Gabriel Malagrida (cujo nome significa''As Vozes Harmoniosas de Deus"). Desde cedo Gabriel demonstrou tendências místicas. Entrou para o seminário de Milão onde foi ordenado e professou na Companhia de Jesus em 1711.
















Gabriel desejava cumprir sua missão no Brasil porém Tamborini, o Geral da Companhia de Jesus, havia lhe reservado a cadeira de Humanidades no Colégio de Bastis, na Córsega. Mais tarde conseguiu se transferir para Lisboa, em 1721, onde depois de algum tempo conseguia embarcar para o Maranhão.
















Gabriel e o Brasil. Nessas terras, Gabriel pregou internando-se no sertão, enfrentando sérios perigos e vencendo com a fibra de quem se julgava destinado a cumprir uma missão superior no Planeta, uma missão de conquistar almas para o Céu. Apresentava evidentes sintomas mediúnicos ouvindo vozes misteriosas e chegou mesmo a pensar que operava milagres.
















Em 1727 começou a árdua tarefa de catequizar os índios no Maranhão, conseguindo nessa mesma ocasião amansar a feroz tribo dos Barbassos. Fundou no Maranhão uma missão que teve grande desenvolvimento, sustentando uma peregrinação apostólica. Foi em seguida, em 1730, para a Bahia e Rio de Janeiro onde continuou a pregar, alcançando grande ascendência sobre os índios. Apareceu então, convertido no apóstolo do Brasil. Dizia que conversava com Deus e que lhe aparecia a Virgem Maria, e para completar seus feitos, descrevia os "milagres" que operava.
















Em 1749 partiu para Lisboa, onde foi recebido com fama de santo por muitos fiéis. Nessa época Dom João V se encontrava muito doente e Gabriel, a seu pedido, o assistiu nos seus últimos momentos.
















Em 1751 retornou ao Brasil onde ficou ate 1754, ano em que foi chamado a Lisboa pela Rainha Dona Mariana da Áustria. Encontrou no poder Sebastião José, o terrível Marquês de Pombal, que não permitiu sua presença por muito tempo junto à Rainha. Por esse motivo, Gabriel se isolou durante algum tempo em Setúbal.
















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No dia 1° de novembro de 1755, Lisboa foi destruída por um terremoto. Correu o boato que a catástrofe era castigo do céu. Pombal mandou publicar um folheto escrito por um padre, explicando o fenômeno e as causas naturais que o determinaram. Gabriel apareceu em público com um opúsculo, onde procurava corrigir o teor da publicação. Nesse opúsculo, Gabriel afirmava que o terremoto era verdadeiramente um castigo do céu. Pombal enfurecido, mandou queimar o opúsculo e desterrou Gabriel para Setúbal.
















Em setembro de 1758, ocorreu um atentado contra a vida de Dom José. Algumas semanas antes, Gabriel havia escrito uma carta ameaçadora ao Marquês de Pombal. Gabriel foi preso, em 11 de dezembro, como responsável pelo atentado e encarcerado nas prisões do Estado. Pombal vasculhou seus livros e nessa oportunidade lhe atribuiu passagens que pareciam pouco ortodoxas, e foi entregue a Inquisição.
















Gabriel foi condenado a pena de garrote e fogueira, sendo executado na Praça do Rossio em 21 de setembro de 1761.
















Uma comprovação destes fatos pode ser encontrada na Biblioteca de Amsterdam, onde existe uma copia do seu famoso processo, traduzida da edição de Lisboa. Nesse processo pode-se ler que Malagrida foi acusado de feitiçaria e de manter pacto com o Diabo que lhe havia revelado o futuro!...
















Gabriel Malagrida reencarnou no Brasil (talvez para se refazer da árdua encarnação como jesuíta) se preparando para a importante missão que lhe estava reservada dentro do Movimento Umbandista no século XX, como Caboclo das Sete Encruzilhadas.
































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Frei Gabriel de Malagrida
































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Uma comprovação da existência do Frei Gabriel Malagrida pode ser feita no livro de Henrique José de Souza, "Eubiose - A verdadeira Iniciação" - 4.ª edição (1978) - Associação Editorial Aquarius; Rio de Janeiro.
















Nas páginas 250 e 251, Henrique José de Souza faz o seguinte comentário: "Gabriel Malagrida, ancião de 80 anos foi queimado por Verdugos (Inquisição) em 1761.
















Existe na Biblioteca de Amsterdã, uma cópia de seu Famoso Processo, traduzido da edição de Lisboa. Malagrida, com efeito, foi acusado de feitiçaria e de manter pacto com o Diabo, que lhe havia revelado o futuro.
















A profecia comunicada pelo "inimigo do gênero humano" (quer dizer das profecias comunicadas aos Santos da Igreja, inclusive Santa Odília, que profetizou até a última guerra) ao pobre Jesuíta Visionário, está concebida nos seguintes termos: "O Réu confessou, que o demônio, sob a forma da Virgem Maria, lhe tinha ordenado a escrever a vida do Anticristo; que havia de existir, a bem dizer, 3 anticristos sucessivos, e que o último nasceria em Milão, da sacrilégia união entre um frade e uma freira, etc.
















E por aí, outras tantas coisas que o obrigaram a confessar".
















*Texto Extraído do Livro Iniciação à Umbanda – Vol. 1
















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GABRIEL MALAGRIDA VERSUS MARQUÊS DE POMBAL
















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— Documentário sobre a vida, a obra e a paixão do padre jesuíta italiano Gabriel Malagrida (1689-1761), personagem extraordinário da história do Brasil. Muito famoso em sua época, tanto no Brasil como em Portugal, Malagrida era conhecido como “O Taumaturgo do Brasil” – um fazedor de milagres. Inaugurou no Nordeste brasileiro uma tradição de fervorosa devoção, que teria continuidade, sob outras formas, com Mestre Ibiapina, Antônio Conselheiro e padre Cícero Romão.
















Introduziu no Brasil as devoções ao Sagrado Coração e à Nossa Senhora da Boa Morte. Em suas peregrinações, percorria imensas distâncias a pé pelos sertões brasileiros.
















Em uma delas, conhecida com “a grande marcha”, percorreu, descalço, mais de 6 mil quilômetros. A equipe deste documentário seguiu os passos de sua vida: na Itália, onde nasceu na bela região do Lago de Como, em seis estados do Nordeste brasileiro, onde fez uma grande obra social e devocional, e Portugal, onde foi executado pela Inquisição. Um mergulho no Brasil do século XVIII, onde são investigadas a arte, a cultura e a mentalidade da época. Uma revisão historiográfica do papel do Marquês de Pombal na extinção da Companhia de Jesus, tudo isso em um documentário tocante, que tem como eixo central a vida do missionário Gabriel Malagrida. É, pois, um filme imperdível.
































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O MARQUÊS E O FRADE
































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Para gáudio do grande pintor e crítico Raul Córdula, um dos maiores artistas plásticos paraibanos e também um dos maiores admiradores da obra social e educacional do jesuíta executado pela Inquisição; e também para que o leitor não vá ler o cordel de Clotilde Tavares ou ver o filme de Victor Leonardi e Renato Barbieri sem ter pelo menos uma
































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Evandro da Nóbrega
















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— Documentário sobre a vida, a obra e a paixão do padre jesuíta italiano Gabriel Malagrida (1689-1761), personagem extraordinário da história do Brasil. Muito famoso em sua época, tanto no Brasil como em Portugal, Malagrida era conhecido como “O Taumaturgo do Brasil” – um fazedor de milagres. Inaugurou no Nordeste brasileiro uma tradição de fervorosa devoção, que teria continuidade, sob outras formas, com Mestre Ibiapina, Antônio Conselheiro e padre Cícero Romão. Introduziu no Brasil as devoções ao Sagrado Coração e à Nossa Senhora da Boa Morte. Em suas peregrinações, percorria imensas distâncias a pé pelos sertões brasileiros.
















Em uma delas, conhecida com “a grande marcha”, percorreu, descalço, mais de 6 mil quilômetros. A equipe deste documentário seguiu os passos de sua vida: na Itália, onde nasceu na bela região do Lago de Como, em seis estados do Nordeste brasileiro, onde fez uma grande obra social e devocional, e Portugal, onde foi executado pela Inquisição. Um mergulho no Brasil do século XVIII, onde são investigadas a arte, a cultura e a mentalidade da época. Uma revisão historiográfica do papel do Marquês de Pombal na extinção da Companhia de Jesus, tudo isso em um documentário tocante, que tem como eixo central a vida do missionário Gabriel Malagrida. É, pois, um filme imperdível...